Bordando resistência: Bordadeiras de Alto Alegre
ANO DE INÍCIO
2017
CIDADE
Horizonte
NÚMERO DE HABITANTES
55.187
PAÍS
Brasil
ATUALIZAÇÃO DE DATA
10/02/2026
JUSTIFICAÇÃO E RESUMO

O projeto “Bordando Resistência: Bordadeiras de Alto Alegre” é nasce de um coletivo de mulheres quilombolas (afro-brasileiras) bordadeiras de Alto Alegre, na cidade de Horizonte, que usam a arte como uma ferramenta de empoderamento, inclusão e autonomia.

A maioria dos habitantes da comunidade quilombola de Alto Alegre é composta por camponeses que não têm meios de produção e frequentemente trabalham para os proprietários de terras. Nesse contexto de exploração do trabalho e invisibilidade social, as mulheres se tornam vítimas em potencial de várias formas de violência.

O projeto visa promover espaços de diálogo coletivo com foco no reconhecimento da cultura e identidade ancestrais, reforçar a autonomia de gênero e defender os direitos das mulheres quilombolas por meio da implementação de diferentes atividades: cursos de bordado artesanal com ênfase na exaltação da memória e da cultura local; elaboração de produtos artesanais que possibilitem a inclusão laboral e a obtenção de renda a partir do bordado; e organização de oficinas de diálogo interativo para analisar e refletir sobre as discriminações racistas, fortalecendo a cultura de defesa dos direitos das mulheres e da população afrodescendente.

Todas as ações são pensadas e decididas coletivamente por todas as integrantes do coletivo, e sempre com o objetivo de promover atividades que alcancem o fortalecimento do grupo, a prática educativa, a participação das mulheres e de outros atores sociais interessados e conhecedores do tema.

OBJETIVOS



O projeto tem os seguintes objetivos:

1)    Diálogo coletivo entre mulheres afrodescendentes
2)    Reconhecimento da cultura ancestral e das identidades quilombolas
3)    Fortalecimento da autonomia de gênero
4)    Promoção da defesa dos direitos humanos
5)    Geração de renda entre as mulheres da comunidade




METODOLOGIA

A iniciativa Bordando Resistências baseia-se em oficinas de bordado, rodas de conversa, conferências, fóruns e outras formas de escuta e participação popular, tendo o artesanato, especialmente o bordado, como pano de fundo para falar sobre cultura, pertencimento, raízes negras, empoderamento das mulheres e sua participação nos espaços sociais e políticos, além de outras questões que atravessam o cotidiano das mulheres dessa comunidade.

1ª etapa: formação de um grupo intergeracional de mulheres; realização de um curso de bordado criativo com foco na cultura e na história do lugar; encontros quinzenais na comunidade; rodas de conversa; uso de recursos audiovisuais e dinâmicas de grupo.

2ª etapa: confecção da arte do bordado; realização de oficinas de empreendedorismo com foco na produção e geração de renda.

A Prefeitura de Horizonte desenvolve apoio logístico e operacional, além da inserção gradual das atividades de artesanato e bordado em instituições governamentais, como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e as escolas, em um contexto de valorização da identidade feminina negra. A Associação Comunitária de Alto Alegre presta apoio operacional e de mobilização.

CONTEXTO SOCIAL E URBANO DA EXPERIÊNCIA

Horizonte está localizada na Região Metropolitana de Fortaleza, a cerca de 40 km da capital do Ceará. Sua população atual é estimada em 68.529 habitantes (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estadística - IGBE, 2020), distribuída em uma área geográfica de 160 km², dividida em quatro distritos: Aningas, Dourado, Queimadas e a sede municipal.

Desde sua emancipação, em 1989, Horizonte tem crescido significativamente em termos econômicos e sociais e já se destaca como um importante polo industrial da região, atraindo muitas pessoas migrantes e ocupando a atual posição de quinto município em arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Ceará. O município tem um dos maiores PIBs do Ceará, com um total de R$ 1.705 milhões (equivalente a cerca de 330 milhões de euros) e seu PIB per capita é de R$ 25.783,29 (4.981 euros).

Os dados referentes às comunidades afrodescendentes refletem os altos níveis de discriminação no país. Uma pesquisa realizada em 2019 constatou que a taxa de homicídios por 100.000 pessoas negras era de 29,2, enquanto entre a população não racializada era de apenas 11,2. Em outras palavras, uma pessoa negra tem 2,6 vezes mais chances de ser assassinada no Brasil do que uma pessoa branca (Atlas da Violência, 2021). No campo da educação, os dados são muito semelhantes: 76% das pessoas jovens não racializadas entre 15 e 17 anos estão matriculadas no ensino médio, enquanto entre a população negra esse número cai para 62%, uma diferença de 14 pontos percentuais (IBGE, 2000).

Ainda de acordo com os dados do IBGE, as mulheres racializadas, em comparação com outros segmentos da população, sentem-se mais inseguras e vulneráveis em todos os espaços e ambientes que frequentam, inclusive em suas próprias casas. De acordo com um estudo realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso, 2015), entre os 83 países pesquisados, o Brasil ocupa o quinto lugar em termos de número de assassinatos de mulheres.

AVALIAÇÃO

Desde sua criação, o coletivo Bordadeiras do Alto Alegre desenvolveu os seguintes projetos e ações:

Bonequeiras do Peti
Bordando Resistencia
Linhas do Mar
Movimento Mil Agulhas

Os resultados observados em curto prazo são, entre outros, o empoderamento das mulheres participantes; a descoberta do potencial artístico; a geração de renda para as mulheres afrodescendentes; o reconhecimento da cultura e o fortalecimento dos vínculos entre as participantes. Em longo prazo, espera-se alcançar a consolidação da cultura do bordado na comunidade e, talvez, em todo o município, bem como um maior reconhecimento do potencial
artístico e cultural da população afrodescendente.

Pontos fortes:

O reconhecimento da identidade aliado à ruptura de modelos construídos ao longo do tempo pelo racismo estrutural.
Ocupação de novos espaços que geram cultura, comunicação, consciência social, pertencimento e reconhecimento territorial.
Fortalecimento das relações familiares e intergeracionais construídas por meio das oficinas de bordado.

O projeto enfrenta os seguintes desafios para o futuro:

• Desenvolver novas propostas de produtos com referências étnicas para ampliar a oferta e a presença do grupo no mercado.
• Desenvolver estratégias de marketing publicitário que fortaleçam a proposta do coletivo na produção de artes autorais com foco no universo feminino.
• Construir estratégias que permitam a aquisição, em médio prazo, de um espaço próprio (ateliê) para o desenvolvimento das atividades do coletivo.

VÍDEOS
 
ORGANIZAÇÃO
Prefeitura de Horizonte
Secretaria de Educação
WEB DA ORGANIZAÇÃO:
WEB DA EXPERIÊNCIA