Pisar a terra, olhar o céu. Ciência e comunidades em diálogo
ANO DE INÍCIO
2022
CIDADE
Rosario
NÚMERO DE HABITANTES
1.030.000
PAÍS
Argentina
ATUALIZAÇÃO DE DATA
15/01/2026
JUSTIFICAÇÃO E RESUMO

O Complexo Astronômico Municipal de Rosario (CAM), dependente da Secretaria de Cultura e Educação, é um referente no cruzamento entre ciência, arte e tecnologia. Localizado no coração do Parque Urquiza, frente ao rio Paraná e seus humedais, que se converteu em um espaço identitário da cidade. Sua historia começou em 1970, com a inauguração do Observatorio Astronômico Municipal, concebido como um espaço de observação do céu aberto a comunidade. Em 1984 se soma ao Planetário "Luis Cándido Carballo", que rápidamente se transforma em um farol cultural y educativo de la región. Unos años después, en 1987, nasce o Museu Experimental de ciência, coma missão de oferecer experiências interativas que aproximam a ciência de forma innovadora. Neste percurso, programas como "Punto Edu" consolidam a vocação educativa e comunitária do CAM, articulando a tarefa com escolas e professores.

Neste marco, no começo de 2022, surge um projeto que busca integrar a tradição de olhar o céu com a necessidade de colocar os pés na terra. O primeiro passo foi a construção de uma amostra permanente no terreo do Planetario. Ali, onde antes existiam escritorios, se derrubaram muros para abri um espaço livre, acessível e dinâmico, destinado a repensar como se constrói o conhecimento cientifico desde um dialogo entre ciência e cultura.

A partir de essa experiência nasce a proposta de uma horta-laboratório junto ao prédio do Observatorio Astronômico. Este espaço convida a desenvolver prática que combinam a experimentação científica com saberes comunitários e ancestrais, colocando em jogo o corpo e a relação harmônica com a natureza. A astronomia cultural, a astronomia observacional e a biodinâmica se entrelaçam para mostrar que os vínculos entre céu e terra hão sido sempre parte da vida cultural dos povos.

Com o tempo, estas iniciativas encontram continuidade no setor "A ciência faz cidade" do re-inaugurado Museu Experimental de Ciência, que amplia a visão à relação entre diversidade biológica e cultural. Assim como a perda de especies e ecosistemas empobrece a vida, também o faz a desaparição de tradições e saberes. Promover e proteger em conjunto ambas diversidades se converte em um eixo fundamental, articulando ciência em um foco crítico, reflexivo e transformador.

De este modo, a amostra, a horta e o museu não são experiências isoladas, senão capítulos de um mesmo relato. Um projeto que articula historia e inovação, memoria e futuro, para seguir construindo coletivamente novas formas de pensar e habitar o mundo.

OBJETIVOS

Promover um diálogo de saberes: Gerar um espaço de intercâmbio entre o conhecimento científico, os saberes populares, ancestrais e locais. Criar um espaço onde diferentes cosmovisões se encontram para construir novos significados e soluções ambientais de forma coletiva.

Fomentar uma visão não antropocêntrica: Questionar a visão que coloca o humano no centro e promover uma relação de harmonia e equilibrio com a natureza (Pachamama), entendendo a humanidade como uma parte integrante de um todo.

Funcionar como um espaço de educação e conscientização ambiental: Utiliza a amostra e a horta como um laboratório vivo e cenário para tratar problemáticas ambientais críticas através de percursos pelo espaço, workshops e cursos de capacitação, eventos e atividades para todo o público, elaboração de material didático.

METODOLOGIA

Percorrer a terra e o céu, se fazer perguntas e construir possíveis respostas são questões centrais de toda viagem de conhecimento. Nesse espirito, durante 2022 se deu um novo passo no Complexo Astronômico Municipal de Rosario (CAM) com a criação da amostra "Pisar a terra, olhar o céu", localizada no térreo do Planetário. O espaço abriu a possibilidade de explorar, criar e experimentar através de três territorios.

O primeiro, Raízes do céu, propõe uma troca de saberes em torno a diferentes cosmovisões, especialmente a dos povos originarios. Historias de comunidades da América ressoam em alto-falantes dispostos na sala, enquanto que uma escultura chaná evoca a cosmovisão ancestral da região do Paraná. O segundo, Laços do céu, convida a contemplar e criar constelações em um domo interativo. Com uma "varinha mágica" provista de um led, as e os visitantes podem traçar constelações de estrelas, nomeá-las e dar um relato, recuperando uma prática ancestral. Finalmente, Natureza insurgente, propõe um novo vinculo com a terra: por meio de um microscopio se explora o mundo micro e, através de workshops e produções audiovisuais, se reflete sobre os humedais e as queimas que afetam o Delta do Paraná.

Seguindo estes caminhos que buscam restaurar o vinculo entre sociedade e natureza, no outono de 2023 se inaugura um novo dispositivo cultural e educativo: a horta laboratório "Sementes cósmicas. Diálogo entre cultivo, ciências e astros". Ali se articulam conhecimentos de astronomia com práticas agroecológicas e biodinâmicas, integrando a visão da astronomia cultural -que resgata as interpretações do céu dos povos originários- com pesquisas e tecnologias sustentáveis atuais. A horta se converte assim em um lugar para colocar o corpo, aprender da natureza e experimentar novas formas de habitar o territorio.


Em julho de 2025, o CAM soma um novo feito com a reabertura do Museu Experimental de Ciências, renovando com diversas áreas que continuam esta linha de trabalho. Um de seus espaços, "A ciência faz cidade" retoma e ressignifica a experiência da amostra e a horta. Ali, uma mesa equipada com lupas e iluminação permite observar texturas e cores de elementos vegetais provenientes da horta, estabelecendo uma ponte entre os saberes da terra, as práticas comunitárias e a experimentação cientifica.

De este modo, a amostra, a horta e o museu se integram como capítulos de um mesmo projeto: "pisar a terra, olhar o céu". Um relato no qual a historia e a inovação se entrelaçam para seguir construindo coletivamente novas formas de pensar a ciência desde nosso território.

CONTEXTO SOCIAL E URBANO DA EXPERIÊNCIA

Segundo os dados do Censo Nacional de População, Lares e Moradias 2022, a cidade de Rosario registrou um crescimento de 8,6% respeito ao censo anterior (2010), já que a quantidade de habitantes em moradias particulares foi de 1.030.069. Esta população se distribui em 19,4%  com menos de 15 anos, 66,7% entre 15 e 64 anos e 13,9% com 65 anos ou mais. Até os 14 anos há uma maior proporção de homens. Nas idades seguintes, as proporções de mulheres se vão incrementando e chegam a superar em um 50% aos homens, nas idade mais avançadas (a partir dos 75 anos aproximadamente).

A cidade se constitui em cabeceira de um conjunto de comunas e municipios que conformam uma realidade urbano-rural com múltiplas interdependências, superando 1.600.000 habitantes, a população metropolitana.

A estrutura produtiva de Rosario e sua área metropolitana está conformada por uma multiplicidade de atividades que integram ramas agroindustria tradicionais com tecnologias da informação e comunicação, o setor de serviços e uma industria alimenticia altamente competitiva.

Além disso, a cidade está organizada em 6 distritos, cada um deles dispõe de um Centro Municipal de Distrito onde podem realizar-se trâmites e atividades diversas.

No coração da cidade, dentro do Parque Urquiza e no Distrito Centro se localiza o Complexo Astronômico Municipal, um espaço único que integra planetário, observatório e museu interativo. A zona, de fácil acesso e com ampla oferta cultural, atrai tanto a residentes com a visitantes da região. O público destinatário é diverso: familias, estudantes, jovens e adultos, interessados na ciência, a astronomia e a cultura. Graças a sua localização estratégica, o complexo se constitui com um ponto de encontro educativo e recreativo que fortalece a identidade cultural de Rosario e contribui a democratização do acesso ao conhecimento científico.

AVALIAÇÃO

Nos últimos anos, o Complexo Astronômico Municipal de Rosario atravessou uma transformação significativa em seu vinculo com a comunidade e na maneira em que se pensa a si mesmo como instituição cultural e educativa. A situação inicial estava marcada por uma lógica de acesso restringido: as atividade eram exclusivamente com turno ou horário definido, e a planta baixa estava ocupada por oficinas. Com a amostra "Pisar a Terra, olhar o céu" se produz um quebre: a demolição de uma parede deu lugar a um novo espaço aberto, acessível livremente ao público, ao que logo se somaram uma mini-biblioteca e uma pequena sala de projeções. Esta mudança material se traduziu em uma abertura simbólica a cidade, habilitando o diálogo com outros saberes -populares, ancestrais, comunitários- que antes ficavam na margem.

Este novo espaço permitiu trabalhar com públicos diversos: desde centros de dia até pessoas com deficiência visual/auditiva, além de crianças de nivel inicial, em um formato com propostas lúdicas e acessíveis, A articulação com programas sociais como Nova Oportunidade, Margem ou o CEDIF fortaleceu a dimensão comunitária e deu lugar a experiências conjuntas como workshops de aquecedores solares.

Entre os pontos fortes do Complexo se destacam sua localização estratégica no centro de Rosario, a gratuidade de suas atividades, a proximidade com a Universidade Nacional de Rosario, a ampliação de horários de abertura e o feito de construir uma oferta única na cidade e escassa na região: um museu de ciências integrado a um planetário e observatório.

Não obstante, persistem limitações. A equipe humana resulta insuficiente para a demanda crescente, e existem tensões entre um núcleo histórico e os novos integrantes , oque dificulta a consolidação de um trabalho coletivo sólido. A dependência de financiamento externo e convocatorias limita a estabilidade de projetos, e ainda ficam pendente fortalecer a presença territorial, ampliar os turnos para escolas e robustecer a comunicação institucional.

De cara ao futuro, o Complexo se propõe ampliar os espaços de uso público, reduzir a superficie destinada a escritórios, e profundizar a articulação com a UNR, com outros museus e com os distritos da cidade. Se projetam propostas inclusivas, con funções adaptadas para pessoas com deficiência visual, e programas com adultos maiores como é "Guías por um Dia". Assim mesmo, se busca retomar experiências itinerantes com o Laboratório Móvel de Experimentação, que levou ciência a bairros periféricos, e avançar na renovação espacial e tecnológica: modernização do térreo do edifico, melhoras no observatório e coloca em valor do parque que rodeia ao complexo.

ORGANIZAÇÃO
Complexo Astronômico Municipal
Programa Punto Edu
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